quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

CONCEITO

Sai de casa irritada, andei a vaguear um mendigo, livre. 
Passei por ruas movimentadas e noutras em que mal se ouvia um "piu". Estava cada vez mais longe, mas nada cansada não conseguia parar, nem queria. Sinceramente não pensava em nada, limitava-me a olhar para a calçada do passeio ou para o alcatrão da estrada. Não me ocorria nada na mente, era como se o meu cérebro estivesse desligado e apenas os meus olhos funcionassem, eles sim dirigiam as minhas pernas. Não sentia absolutamente nada, era como se nada existisse... nem memória nem ambição. Só queria andar, andar, andar... Não paro, levanto a cabeça e vejo prédios, só prédios, enfadonhos e desinteressantes. Caminho mas não deixo de ver prédios, nesses montes de tijolo e cimento apenas as cores mudavam. Eram tão feios que me pareciam todos iguais. Ando mais rápido, à procura de uma melhor paisagem mas não a encontro. 
Caminho, caminho está sempre tudo tão igual, as caras mudam mas as expressões mantêm-se. Mudam as cores mas de resto é tudo igual, é sempre tudo igual, não importa por onde caminhe!

Palavra chave:     Repetição

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