A CULPA NÃO É MINHA!
A culpa não é minha é uma exposição exposta actualmente no museu Berardo, em Belém, no CCB. Nela encontrámos peças da colecção privada de António Cachola no passado dia 19 de Outubro. O nome desta exposição é tirado de uma das peças expostas, a de João Pedro Vale, “mea culpa non est”. Durante a exposição encontramos variadíssimas obras, todas elas de autores portugueses como: João Tabarra; Vasco Araújo; Alexandre Estrela; Pedro Cabrita Reis; João louro; José Pedro Croft; Rui Calçada Bastos; Noé Sendas; Susan Themlitz; entre outros… E estas variaram entre escultura, pintura, fotografia e ainda vídeo.
Ao longo da visita fomos parando para analisar várias obras como a instalação de Vasco Araújo “Diva - A Portrait”; “O encantador de serpentes”, vídeo de João Tabarra; “O Homem em quatro paredes” de Alexandre Estrela; “Sinais” de João Louro; “Versus” de Noé Sendas; “O estado de sono” de Susan Themlitz; entre outros. ![]() |
| Diversos |
Porém aquela que mais me marcou foi a de José Pedro Croft, “Sem título”, Porque na minha opinião é a que mais nos choca.
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| "Sem título" José Pedro Croft |
Esta obra consiste na instalação de três estruturas principais quase arquitectónicas pois utiliza formas geométricas onde são encaixados diversos espelhos. Tal como monitor, Hugo Barata, nos contou, esta é uma peça a que as pessoas têm tendência a fugir. O confronto com a imagem, aliás com a nossa própria imagem é algo que por vezes não queremos enfrentar. É normal que ao acordar, quando vamos lavar os dentes a vejamos, mas isso é num contexto íntimo, sentimo-nos à vontade por tal pois faz parte da nossa rotina. Durante o dia, não fazemos a ideia de como estamos visualmente e isso não nos incomoda, mas ao entrar naquela sala do museu Berardo é impossível fugir a isso, mesmo que seja apenas em passagem vemos por todo lado a nossa imagem, exposta na própria obra de arte. É esta interacção que tanto me fascinou. Não é normal um artista deixar os observadores modelarem a sua obra, transformando-a constantemente. Porém esse é o objectivo deste autor. É a dinâmica do museu que lhe confere vida, é esse movimento que permite que a imagem não fique presa, estática. Se repararmos bem, esta é uma peça que está em constante metamorfose, é impossível que alguém consiga ver a imagem completamente estática, como seria num quadro. Em cada vez que uma pessoa se mexe, mesmo que esse movimento seja quase imperceptível a imagem modifica-se. É talvez por isso que o autor opta por não dar um título concreto à obra, chama-lhe “Sem título” porque este depende muito do observador, depende essencialmente das sucessões das acções captadas em cada um dos espelhos. Encaro portanto esta obra como um vídeo pois é, tal como ele, uma sucessão de imagens.
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| "Sem título", José Pedro Croft |

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