Portas são furos nos limites que alguém estabeleceu. Como pessoa, estabeleço limites que não quero passar, coisas de que não me quero aproximar, situações que quero a todo o custo evitar. As portas são esperanças, são enigmas … Por sua vez as pessoas são curiosas. Todas as portas por onde passamos têm por detrás uma história, uma imagem, uma época e muitas pessoas. Abrir uma porta pode não ser fácil. Podemos ter medo de a abrir. Podemos apenas querer espreitar por um minúsculo buraquinho e satisfazer as nossas curiosidades. Estas devem-se, em primeiro lugar, ao aspecto da porta, se este for grosseiro, se este for grosseiro provavelmente não a queremos abrir, se for elegante, esteticamente “bela” certamente queremo-la invadir e descobrir as suas maravilhas e tornando-as nossas. Porém uma porta é uma porta, nada mais que isso… tudo o que nos mostra pode no fim de contas, não corresponder ao seu mundo interior.
Vejo diversas portas dispostas num lugar vazio, portas que sem estarem adoçadas a nenhuma parede se mostram mais curiosas ainda. Parecem portas de espectáculo mas se num teatro as abrisse talvez na história fizesse diferença mas para mim não estas fazem!
Ao ver portas cujos tamanhos ainda variam mais, não consigo escolher nenhuma delas… Mas é necessário! Terei de as abrir a todas? Talvez, mas com certeza qu e poderei escolher a ordem com o faço. A questão será: quererei eu abrir as que me suscitam alegria, paz amor, ou será melhor abrir aquelas que me aterrorizam? Seja como for, sempre preferi que me dessem primeiro as más notícias.
Vejo ao longe uma porta rude, gasta, enorme em tamanho e terrivelmente enigmática. Primeiro tento olhar pelo buraco da fechadura mas não vejo nada esta quase toda preta mas há, lá ao fundo, uma luz que ilumina algo, não percebo o quê. Ainda a medo toco na maçaneta parecia que tremia, ou talvez fosse eu. O ranger da porta aumentava e proporcionalmente aumentavam as minhas pulsações, e foi no clímax da minha angústia que a medo vejo uma pessoa sentada numa secretária com ar exausto e desesperado, atafulhada de papeis e com o ar de quem já não pode mais. É então que se vira para mim e pergunta: - que quer?! Não vê que estou ocupada? – Viro costas e bato com a porta Que ser mais rude a falta de simpatia tinha-me irritado bastante.
Passo para outra porta. Antes d entrar já ouvia uma melodia que não me era nada estranha… Nesta não hesitei! Entrei de rompante. À minha frente encontrei um piano e um microfone só me apetecia tocar e gritar (a situação anterior tinha me chateado realmente), em vez disso batinas teclas. Bati-lhes muito! Depois de me libertar, sai aliviada, estava pronta para enfrentar tudo... Eis que uma porta quase que me aspira, puxa-me com toda a força, até me eleva. Faço toda a força para resistir, e é ao deixar de resistir que esta me liberta. Ainda com a respiração ofegante, paro e recomponho-me. Decidida a descobrir o porquê de tudo aquilo, entro confiante e em vez de me esperar uma tortura, vejo as minhas irmãs a rirem em frente do computador e a chamar-me para me juntar elas… Foi isso mesmo que fiz.
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